Na Baixada Fluminense, o crescimento urbano e a expansão das cidades, principalmente de forma desorganizada, provocam alterações no ciclo da água, devido à impermebialização do solo que possui como consequência, uma maior ocorrência de enchentes. Com a urbanização e as áreas desmatadas, o escoamento superficial nas encostas além de provocar erosão, atinge com maior intensidade a parte mais baixa, provocando as enchentes.
Segundo o geógráfo Elmo Amador, especialista na Baía de Guanabara, a maior parte das áreas atingidas pela enchente foi construída em cima de ecossistemas originalmente inundáveis, como brejos, pântanos e várzeas. A inundação na região é facilitada ainda pela geografia- uma grande área plana cercada por serras- pela urbanização excessiva das margens dos canais e rios e pelo assoreamento praticamente completo de alguns dos principais deltas de rio da região, como o Iguaçu e o Meriti, com enormes ilhas de lixo e areia.
Na década de 30, por causa da especulação imobiliária e a criação de loteamentos nos municípios Baixada tornaran inofensivas as obras realizadasa pelo Departamento Nacional de Obras e saneamento (DNOS). O Objetivo das obras era criar um cinturão verde para abastecimento da capital e arredores com hortifrutigranjeiros. Essas obras, entretanto, não foram acompanhadas de programa eficiente de colonização, incentivo e apoio técnico,que realmente gerasse a ocupação agrícola desejada. A ocupação desorganizada agravou os problemas das bacias fluviais da Baixada, em especial a do rio Iguaçu-Sarapuí, que banha os municípíos de Nova Iguaçu, Nilópolis, São João de Meriti, Duque de Caxias e Belford Roxo. É preciso controlar a ocupação das áreas de risco e promover a e ducação ambiental da população, Segundo a arquiteta Inês Muchelin Selles, do Departamento de Autorga da Serla ( Superintendencia Estadual de rios e Lagoas ).
Como podemos observar, a questão das enchentes na Baixada Fluminense é também um fato histórico, que envolve a urbanização desordenada, uma superpopulação com problemas gravíssimos de higiene ambiental e saúde precária. É nítida o omissão do poder público,já que muitas dessas residências são regularizadas pelos próprios administradores municipais.
Não é possivel haver uma sociedade plenamente salutar em um ambiente degradado e poluído, porém neste mesmo ambiente, o lixão clandestino do Jardim Gramacho em Duque de Caxias transformou-se em " lixo extraordinário " quando o artista plástico Vik Muniz retratou o cotidiano dos trabalhadores que vivem de separar e vender o lixo, concorrendo ao Oscar.
Maria Helena da Silva Pereira, 29/09/2011
Fontes: http://O Globo.globo.com/rio/mat/2009/11/12/ecossistema-urba
plantão publicado em 12/11/2009, por Túlio Brandão.


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